Periodicidade: Diária - Director: Armando Alves - 19/10/2017.
 
 
A TAUROMAQUIA COMO EU A VI NA TEMPORADA DE 2015
A TAUROMAQUIA COMO EU A VI NA TEMPORADA DE 2015
02 de Dezembro de 2015

Uma análise isenta sobre 2015

A tauromaquia como eu a vi na temporada 2015

 

As corridas a que eu assisti e que tive informação de pessoas amigas que foram a corridas que eu não tenha ido, estiveram com um nível de entrada de público bastante significativo, havendo muitas corridas com praça cheia.

A meu entender houve corridas que não encheram porque existe no nosso panorama taurino um número de cavaleiros que não conseguem afirmar-se, e quando têm algumas oportunidades mostram na sua maioria uma falta de conhecimento muito grande acerca dos terrenos do touro, o que lhe dificulta muito a sua atuação, pois quando julga que tourear é apenas estar em praça frente a um touro, está enganado. Associado a este pormenor acresce ainda a falta que muitos deles têm de saber montar a cavalo, tornando-se, para aqueles aficionados que percebem um pouco de cavalos e touros, um aborrecimento verem esses ‘’toureiros’’, levando a que não apareçam nas praças.

Quanto aos forcados, penso que existem grupos de forcados a mais, pois a qualidade também não anda muito alta. Colabora com este assunto, o facto de há muito não aparecer em praça ‘o tal toiro’ com idade e trapio, o que fazia logo por natureza a seleção de muitos grupos de forcados (e cavaleiros também). Com isto, quero apenas dizer que não deviam aparecer em praça sem antes estarem preparados, pois o público paga o seu bilhete, desloca-se muitas vezes a praças longe da sua residência, saindo muitas vezes, no final, dececionado com a falta de qualidade dos intervenientes.

Outro factor que também existe e que a meu ver é muito importante, são as praças desmontáveis. A meu entender, hoje em dia não fazem grande sentido existirem, pois originam a fuga de determinados espectáculos das praças que temos no país e que têm muita manutenção originando assim que algumas delas tenham poucas corridas, não dando ao público, touros e toureiros, nem qualidade nem bom desempenho durante a lide.

Para os empresários faz muito sentido pois é uma porta aberta para conseguirem mais algum rendimento, pois muitas vezes, em vez de corridas, chamam-lhes festivais, o que ajuda no resultado financeiro no final do espectáculo.

Quanto aos directores de corrida, de um modo geral não estamos ‘mal servidos’, tirando algumas excepções, e que por vezes mal acompanhados por médicos veterinários, que não vêem ou não querem ver touros com falta de apresentação ou até mesmo, coxos. Enfim, tudo isto se passa porque não existe por vezes profissionalismo e verdade nos seus actos, o que leva mais uma vez a defraudar a tauromaquia e o público.

Para terminar, saliento que vi boas corridas de touros, com toureiros portugueses maioritariamente, outras com espanhóis, uns com mais qualidade que outros, mas havendo uma parte do público português a delirar pelos toureiros espanhóis, que cobram mais que os portugueses e que nem sempre vimos a qualidade da lide equiparada ao caché. Não sou contra toureiros espanhóis, pelo contrário, gosto bastante de ver uma boa corrida espanhola, mas entendo que o nosso público aposta demais neles e menos nos portugueses, o que não entendo pois os nossos toureiros, na maioria das vezes foram melhores que os espanhóis.

Espero que este comentário seja aproveitado para melhorar o que se pode e deve mudar na tauromaquia para que esta seja mais forte e melhor, para podermos durante muitos e bons anos andar nas praças de touros do nosso país, cheias de público, bons toureiros, e transmitir às gerações mais novas o que de melhor a festa brava tem, para que nunca sejamos privados desta maravilhosa e tão antiga tradição.

 

José Nuno Pereira