Periodicidade: Diária - Director: Armando Alves - 22/08/2017.
 
 
À CONVERSA COM A CAVALEIRA CLÁUDIA ALMEIDA
À CONVERSA COM A CAVALEIRA CLÁUDIA ALMEIDA
23 de Março de 2016

A poucos dias de se estrear na época de 2016, será na segunda feira dia 28 em Sousel, fomos até ao Poceirão assistir a um animado treino da cavaleira, bem como conversar um pouco sobre si e sobre a carreira que deseja abraçar.

No dia 19 de Março fomos até ao Poceirão entrevistar mais uma jovem promessa do toureio a cavalo em Portugal. Uma jovem estudante de gestão equina que tem os pés bem assentes na terra sobre as dificuldades do mundo tauromáquico.

Leia aqui o À CONVERSA COM....

FT – Nome?

CA – Cláudia Andreia Dias Almeida

FT - Data de nascimento?

CA – 07 de Novembro de 1997

FT - Natural de?

CA -Lisboa

FT – Nacionalidade?

CA -Portuguesa

FT - Cavaleira amadora, praticante, profissional?

CA - Praticante

FT - Como nasceu o gosto pela arte de tourear? Sofreste a influência de alguém para seguires este “mundo”?

CA - O gosto por esta arte começou quando eu tinha apenas 7 anos, pode dizer-se que começou tudo graças à minha irmã Sofia Almeida (também toureira). Ela tinha aulas de equitação, e eu pedia sempre para dar uma voltinha no cavalo até que depois mais tarde decidimos ter os nossos próprios cavalos, e comecei a montar. O meu professor de equitação e de toureio foi desde sempre o Sr. Jacinto Carvalho, pai da toureira Marta Manuela. Passado um tempo a minha irmã começou a tourear e eu fui seguindo os passos dela. No dia 14 de Junho de 2009 tive o prazer de me apresentar em praça, foi um grande desafio que acabou por correr bem.

FT - Como é que a tua família encara o facto de quereres seguir a tauromaquia?

CA – A minha família sempre me apoiou nas minhas decisões e sempre me ajudaram em tudo. Apoiam-me a 100% neste meu sonho e transmitem-me uma enorme força para continuar a lutar pelo que realmente gosto, que é tourear.

FT - Ainda estás a estudar! Pensas tirar alguma formação superior relacionada com este mundo?

CA – É verdade, ainda estou a estudar e já estou no último ano do curso. Estou a tirar um curso de técnico de gestão equina, para puder fazer o que realmente gosto, ou seja, trabalhar com cavalos e formar novos/as cavaleiros/as.

FT - Ainda te recordas do que te passou pela cabeça quando vestiste pela primeira vez a casaca?

CA – Claro que sim, são momentos que não se esquecem! Senti um grande orgulho por poder vesti-la e uma grande responsabilidade.

FT - Recordas algum episódio curioso que tenha ocorrido nesse dia?

 

CA – Sim, no dia da minha estreia de casaca tive o prazer de compartilhar cartel com o Mestre Joaquim Bastinhas e com o seu filho … Uma tarde de praça cheia em São Romão da Ucha (Norte), assim que entro em praça e sai o toiro começa a chover imenso mas mesmo assim o público permaneceu na praça até ao final da minha lide.

FT - Um ritual antes de entrar em praça?

 

CA – Benzer-me

FT - Como concilias o toureio com a vida particular?

CA – Por vezes é um pouco difícil porque estudo em Lisboa e tenho os cavalos no Poceirão, mas consigo organizar e gerir o meu tempo.

FT - Quantas horas treinas por dia?

CA – Não tenho uma resposta concreta, depende muito por exemplo, ao fim de semana fico os dias inteiros a montar e a treinar enquanto durante a semana só consigo montar 3h/4h devido ao facto de estar na escola.

FT - Como ocupas o teu tempo livre?

CA – Tempo livre? É muito difícil ter tempo livre, ocupo todo o meu tempo com os meus cavalos, a treinar e a melhorar tudo o que há para melhorar.

FT - Descreve-nos o teu toureio?

 

CA - O meu toureio é um toureio alegre e frontal, tento sempre dar o meu máximo para satisfazer o público.

FT - Consideras-te capaz de ombrear com “os homens” cavaleiros já que estes são em muito maior numero?

CA – Sim! As mulheres andam neste ‘mundo’ com o mesmo direito de igualdade, com a mesma dignidade com a mesma dedicação, com a mesma paixão…

FT - Para quando a “explosão” da cavaleira Cláudia Almeida?

CA – Se tudo correr bem, esta temporada será o início da ‘explosão’, depende das oportunidades.

FT - O que é para ti um bom toureiro?

CA – Um bom toureiro é aquele que tem noção dos terrenos dos toiros, que mete a ‘carne no assador’ como se costuma dizer, que sabe e consegue tourear qualquer tipo de toiros e o mais importante é que trabalhe e lute diariamente.

FT - Quando acabas uma corrida costumas fazer a análise do que se passou em praça?

CA – Sempre! É muito importante porque em todas as corridas há sempre algo que fazemos que poderíamos ter feito melhor ou que resultou menos bem.

FT - Tens algum toureio que te sirva de inspiração? Algum ídolo? Um mestre?

CA – Inspiro-me em todos aqueles que praticam um toureio sério, alegre e com verdade …

FT - Com quem gostavas de partilhar cartel?

CA – Pablo Hermoso De Mendoza e Rui Fernandes

FT - Com quem gostavas de partilhar uma lide?

CA – Gilberto Filipe

FT - Qual o teu sentimento em relação aos forcados?

CA – Têm um papel indispensável na festa, tenho um grande carinho e admiração por todos os forcados.

FT - Indica-nos uma praça onde sonhes actuar?

CA – O sonho de todos os cavaleiros é poder atuar no Campo Pequeno, eu já tive esse prazer mas como cavaleira amadora, agora gostaria de repetir a mesma proeza mas desta vez como praticante e mais tarde como cavaleira de alternativa.

FT - Este ano vamos finalmente ver-te a tourear em mais praças ou vais continuar por Albufeira quase que em exclusivo?

CA – Continuarei em Albufeira, tenho evoluído muito lá e agradeço todas as oportunidades e toda a ajuda que o Maestro Fernando dos Santos me tem dado, mas tenciono tourear em mais praças, desde que os empresários me dêem oportunidades eu toureio em todo o lado.

FT - Descreve-me a sensação de ver um toiro sair à arena para ser lidado por ti?

 

CA – É uma sensação inexplicável, é um misto de sentimentos …

FT - Qual é a tua quadra para 2016? Vamos ter novidades? Se sim, quais serão?

CA - De saída tenho o ‘Caos da Cerca’ que tem ferro do Pedro Lapa, de bandarilhas tenho um cavalo castanho o “Alfinete”, tenho um russo que se chama “Falcão” que serve para os pares de bandarilhas. Para estrear tenho o ‘Guaraná’, que é um cavalo que poderá vir a ser a minha nova estrela.

FT - Quantas corridas pensas fazer em 2016? Pensas tourear fora de Portugal? Se sim, onde?

CA – É difícil prever um número certo de corridas mas estou cá para o que der e vier. Estou sempre receptiva a novas experiências, poderá surgir a oportunidade de ir além-fronteiras.

FT - Que tipo de toiros gostas que te saiam em sorte?

CA – Prefiro um toiro que ande, que seja bravo, do que propriamente um toiro que se pare. Um toiro que fique parado não transmite emoção e um toiro que ande e que me dê luta é mais o meu estilo de toureio, sempre com alegria, movimento e emoção.

FT - Alguma ganadaria em especial?

CA – Não, nenhuma em especial.

FT - Que papel tem o apoderado na tua carreira?

CA – O meu apoderado para esta temporada é o Tiago Cantante (meu cunhado), tem um papel muito importante pois é ele que cuida e gere a minha curta carreira.

FT - Como vês a nova vaga de cavaleiros da tua geração que estão a surgir neste momento?

CA – Penso que o futuro da nossa festa está muito bem assegurado, temos uma vaga de novos cavaleiros com muita qualidade e muito competitivos.

FT - Gostas de assistir a corridas de toiros?

CA – Claro que sim

FT - O que sentes sentada numa bancada a assistir a uma corrida?

CA – Por vezes sinto uma vontade enorme de vestir a casaca, saltar para cima do cavalo e tourear.

FT - O que sentes ao entrar numa praça e ver as bancadas “vazias”?

CA – Sinto uma enorme tristeza

FT - O que achas que poderia ser feito para chamar mais gente às praças?

CA – Talvez dar às pessoas mais conhecimentos taurinos

FT - Muita gente anuncia o fim da festa dos toiros e que a culpa é de quem está dentro da mesma. Que tens a dizer sobre isto?

CA – Concordo plenamente. Os toureiros e taurinos deveriam ser mais unidos porque é a união que faz a força.

FT - Houve-se dizer com alguma frequência que os cartéis são muito repetitivos e que não se montam cartéis com gente nova. De quem achas que será a culpa? Dos empresários que não apostam nestes novos valores? Ou dos cavaleiros que desperdiçam as poucas oportunidades que lhes são dadas?

CA – Não sou ninguém para julgar seja quem for, simplesmente acho que todos os novos cavaleiros devem ter as suas oportunidades e não as desperdiçar, tal como os empresários devem dar as oportunidades a quem realmente as merece.

FT - Como encaras o facto de um Espanhol ser anunciado e encher uma praça e com um Português isso não acontecer?

CA – Por vezes isso deixa-me um pouco triste, mas como aficionada que sou, temos de saber dar valor a quem o tem.   

FT - Que balanço fazes da tua carreira até aqui?

CA – Tem sido uma luta constante para conseguir singrar num mundo tão bonito mas tão ingrato, que por vezes não sei bem onde vou buscar forças para lutar e para pensar que um dia terei o meu ‘lugar ao sol’. Mas contudo isto, sinto-me satisfeita de ter conseguido chegar onde cheguei, apesar de ainda ser o início de um longo e duro caminho a percorrer.

FT - Tens algum troféu com especial significado?

CA – Tenho sim, a espora de prata.

FT - Sousel está ai á porta e será a tua estreia em 2016. Que esperas dessa corrida?

CA – Espero conseguir agradar ao público, não defraudar quem me deu esta oportunidade e que com esta corrida surjam mais oportunidades.

FT - Que ilusões tens para este ano de 2016?

CA – Tenciono agarrar todas as oportunidades e triunfar!

FT - Quem é a Cláudia Almeida?

CA – Sou uma jovem apaixonada pela Festa Brava, simples, humilde, teimosa … Sou uma pessoa feliz!

NUMA PALAVRA:

A tua melhor lide? Beja       

Um cavaleiro(a)? O Falecido Mestre Nuno De Oliveira         

Uma ganadaria? Vinhas

Um forcado? João Salvação                         

Um toureiro? Gilberto Filipe

Um bandarilheiro? Pedro Paulino

Uma praça? Campo Pequeno

Um cavalo? Ferrolho  

Um colega? Sónia Matias

Um clube? Benfica    

Um jogador? Cristiano Ronaldo    

Um destino ferias? Caraíbas 

Um país? Portugal                

Uma cidade? Lisboa

Praia ou campo? Campo            

Comida favorita? Lasanha      

Um sonho? Ser figura do toureio

Um filme? Flicka            

Um desporto? Equitação                

Uma cor? Cor-de-rosa

Um amigo? Mariana       

Carne ou peixe? Carne           

Cantor favorito? Adele

Uma palavra/sugestão para o forcadilhas e toiros.

Desde já agradeço ao Forcadilhas e toiros pela disponibilidade e pela divulgação que tem feito à festa brava. Uma palavra para descrever: Extraordinários

TEXTO: Célia Doroana

FOTOS: Armando Alves