Periodicidade: Diária - Director: Armando Alves - 23/07/2018.
 
 
À CONVERSA COM O PRESIDENTE DA TERTULIA TAUROMÁQUICA TERCEIRENSE ARLINDO TELES
À CONVERSA COM O PRESIDENTE DA TERTULIA TAUROMÁQUICA TERCEIRENSE ARLINDO TELES
21 de Dezembro de 2017

Entre os dias 21 e 22 de Outubro, realizou-se na Ilha Terceira o XII Ciclo de Tentas Comentadas. Maurício Vale voltou a ser o comentador de serviço. Tendo sido um evento organizado pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense, o Forcadilhas e Toiros esteve à conversa com Arlindo Teles.

Nome: Arlindo Paulo de Freitas Teles.

Idade: 43 anos.

Naturalidade: Angra do Heroísmo.

Nacionalidade: Portuguesa.

FT: Quem é o Arlindo?

AT - Sou um terceirense, casado e pai de um casal de filhos, aficionado da Tauromaquia.

FT: Qual a sua actividade profissional?

AT - Sou gestor de empresas, mediador de seguros e mediador imobiliário e comerciante.

FT: Tem algum passatempo?

AT - Os meus passatempos são maioritariamente dedicados à minha aficion aos toiros. Também gosto de caça.

FT: O que é uma de Tertúlia?

AT - A Tertúlia é um clube, uma associação cujos fins estatutários se dedicam à promoção da cultura taurina.

FT: Que cargo desempenha na Tertúlia Tauromáquica Terceirense?

AT - Sou Presidente da Direcção.

FT: Como surgiu esta Tertúlia?

AT - Esta Tertúlia surgiu por iniciativa de um grupo de aficionados na segunda metade dos anos 60 do séc. XX, numa altura em que a Terceira já demonstrava uma aficion fervorosa, cuja origem, aliás, se perde na memória dos tempos.

FT: O que o levou a fazer parte da mesma?

AT - Em 2002 despoletou-se o problema da proibição da Sorte de Varas. Eu integrava uma equipa que acabava de organizar as Sanjoaninas, onde se picaram todos os animais lidados a pé, pelo que sentimo-nos impelidos a tomar as rédeas da instituição para lutar pela causa e não só.

FT: Há quanto tempo existe a TTT e quais os seus objectivos?

AT - Foi fundada em 22 de Janeiro de 1966 e os seus objectivos são basicamente a promoção e a defesa da cultura taurina, num sentido mais lato.

FT: Este ano decorreu, na ilha Terceira, o XII Ciclo das Tentas Comentadas, cuja organização esteve a cargo da Tertúlia. Contam com parcerias ou patrocinadores nesta organização?

AT - Organizamos o Ciclo de Tentas Comentadas desde 2006 e contamos com o apoio das Juntas de Freguesia de Doze Ribeiras, Terra-Chã, Santa Bárbara e São Bento, para além das ganaderias Rego Botelho, José Albino Fernandes, João Gaspar e Francisco Sousa. Também colaboram connosco o Hotel Beira Mar, a Sociedade Tauromáquica Progresso Terceirense (proprietária da Praça de Toiros Ilha Terceira) e os artistas locais e de fora. O comentador Maurício Vale é também uma figura indispensável no certame.

FT: Explique-nos o que é e para que serve uma tenta.

AT - A tenta é a prova funcional que testa a bravura do toiro de lide. É, numa linguagem menos técnica, um processo de selecção dos animais para serem futuras vacas de ventre ou sementais. Em todo o planeta taurino esta selecção se faz através da análise do comportamento das reses primeiro no cavalo de picar e depois na muleta. A esse comportamento é atribuída uma determinada nota (classificação) que dará ao ganadero a noção de ser ou não uma rês que mereça ser aprovada. Os critérios variam de ganadero para ganadero. Haverá naturalmente noções básicas transversais a todos, mas uns valorizarão mais determinadas características que outros.

FT: Como têm decorrido estes ciclos de tentas?

AT - Pensamos que tem corrido bastante bem. Há 2 perspectivas que nos parecem importantes. Por um lado, é uma ferramenta fundamental para as ganaderias desenvolverem a melhoria constante dos seus efectivos, o que se tem revelado frutífero. Por outro lado, as tentas, ao serem públicas, dão a possibilidade ao público em geral de conhecer uma realidade que normalmente é reservada às ganaderias. Ao serem comentadas assumem um cunho pedagógico. É sempre muito útil aprender os “como” e “porquê” da Festa Brava. Aficionados conhecedores são melhores aficionados, cremos nós.

FT: Este evento terá certamente continuação. Este ano tivemos as presenças do matador de toiros espanhol, Pepe Moral, os novilheiros Álvaro Garcia (espanhol) e Diogo Peseiro (português), os picadores Simão Neves e José Faveira, o cavaleiro João Pamplona e o Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. À semelhança de outras edições, contam ter a presença de alguns destes elementos nas corridas das Sanjoaninas?

AT - A organização do Ciclo de Tentas não tem objectivamente esse propósito. No entanto, quando os artistas que cá vêm agradam aos nossos aficionados, podemos considerar essa possibilidade.

FT: A nível de ganadarias intervenientes, tivemos a Ganadaria Rego Botelho, José Albino Fernandes, Francisco Sousa e João Gaspar. Estas mantêm-se de ano para ano ou variam?

AT - Normalmente mantêm-se porque são as que investem para terem condições para participar nas corridas de toiros.

FT: Com a variedade de tentaderos na ilha, qual a forma de selecção para a execução das tentas?

AT - O critério é o de dar lugar a todos os tentaderos.

FT: Este ano o Tentadero de Santa Bárbara foi substituído pelo Tentadero de S. Bento. Alguma razão em especial?

AT - O tentadero de Santa Bárbara não foi substituído pelo de São Bento. O de Santa Bárbara não foi utilizado este ano por indisponibilidade. A estrutura já estava reservada para aquelas datas.

FT: O Arlindo tem noção da valia que têm as tentas para as ganadarias envolvidas no evento? 

AT - Penso que todos concordarão que há uma clara média ascendente na qualidade das ganaderias de lide em geral, nos últimos anos. E esta realidade é indissociável do processo de selecção, das tentas portanto.

FT: Que outros eventos são organizados pela Tertúlia?

AT - Promovem-se espectáculos taurinos, colóquios, congressos internacionais, excursões taurinas, actividades pedagógicas e outras actividades sociais na nossa sede, que tem óptimas instalações. Desenvolvemos também um projecto de promoção internacional da Terceira, através da Tauromaquia, que já está a dar frutos. O Monumento ao Toiro inaugurado em 2011 também foi um projecto da TTT. Somos também parceiros activos da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, através de protocolo que visa a organização de todos os eventos taurinos das Sanjoaninas.

 

FT: Um dos pontos altos, em Angra do Heroísmo, são as “SANJOANINAS”. Em que consistem estas festas?

AT - As Sanjoaninas são as maiores festas dos Açores. É um certame cultural muito diversificado, com especial destaque para a Tauromaquia, quer na sua vertente popular quer ao nível das corridas de toiros em praça.

FT: Na Ilha Terceira, respira-se tauromaquia? Descreva-nos esse sentimento.

AT - É algo ancestral e, por isso mesmo, natural. Todo o ano vive-se e convive-se em redor do toiro bravo. É o maior factor identitário desta terra!

 

FT: Como vê o futuro da festa brava?

AT - A festa está a ser atacada hoje em dia pelo crescimento das populações urbanas cada vez mais desenraizadas da convivência equilibrada entre pessoas e animais. Mas ironicamente os animalistas não percebem nada de animais em geral. Só conhecem a perspectiva das mascotes/animais de estimação. Por outro lado, com a proliferação do fenómeno das redes sociais, os seus movimentos ganharam força muito à custa da hipocrisia do politicamente correcto e da cobardia política. No entanto, eu acredito sempre que a Festa Brava genuína e categoricamente afirmada (tarefa que cabe aos taurinos!) perdurará. Esta nossa maravilhosa cultura tem valores humanos, éticos e estéticos, intemporais. E tem sobrevivido aos ataques há séculos.

FT: Qual o papel do Município nos eventos realizados na Ilha?

AT - A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo estabeleceu desde 2011 um protocolo com a Tertúlia Tauromáquica Terceirense para a gestão e organização dos eventos taurinos das Sanjoaninas, através do qual, mediante vários pressupostos que devemos assegurar, nos é atribuída uma contrapartida financeira que é aplicada no orçamento desses eventos.

FT: Uma mensagem aos nossos leitores.

AT - Aqui desta terra no meio do Atlântico mandamos uma saudação aficionada, acompanhada de um convite para virem conhecer a nossa Tauromaquia e as belezas naturais da ilha Terceira. Será uma experiência seguramente inesquecível!

FT: Uma mensagem para o Forcadilhas e Toiros.

 

AT - Agradecemos uma vez mais o Vosso interesse e o gosto de fazer a cobertura do Ciclo de Tentas Comentadas. Este contributo é importantíssimo porque a Festa precisa de todos: meios de comunicação, artistas, ganaderos e dos aficionados. Um grande abraço da Direção da TTT.