Periodicidade: Diária - Director: Armando Alves - 24/03/2019.
 
 
TOUREIO 50 IMAGENS DE 5 FOTÓGRAFOS
TOUREIO 50 IMAGENS DE 5 FOTÓGRAFOS
20 de Dezembro de 2018


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© 2018, Armando Alves



As nossas escolhas da temporada de 2018

Na semana em que o tão conhecido furacão do Gerês se despede das arenas, venho falar-vos um pouco daquela que tem sido a evolução do toureio a pé, ao longo dos séculos, na Península Ibérica.

Desde o início do toureio que as primeiras demonstrações eram praticadas a cavalo, quer em Portugal quer em Espanha. No entanto, em Espanha os aristocratas (que toureavam a cavalo) foram proibidos de tourear pelo rei D. Filipe V que os considerava necessários para a guerra. É desta forma, que por sua imposição, o toureio a cavalo perde influência e dá lugar ao toureio a pé, que era o único permitido. Em Portugal não foi nenhuma situação idêntica que despoletou o toureio a pé, já que o nosso toureio a pé, remonta a tempos anteriores a este reinado.

Mas é nesta altura, devido ao grande destaque que o toureio a pé ganha, que com a profissionalização deste, em meados do século XVIII, surgem as primeiras ganadarias, uma vez que até então, o toiro habitava os bosques da Península Ibérica, como um animal selvagem.

Também com a profissionalização do toureio a pé,  surgem figuras de renome tais como Augusto Gomes, o primeiro matador português, a tentar vingar em Espanha, ou como Diamantino Vizeu, o primeiro a tomar alternativa, abrindo caminho a inúmeros toureiros admiráveis. Diamantino Vizeu e Manuel dos Santos protagonizaram a "Idade de Ouro do toureio a pé em Portugal" entre as décadas de 50 a 60 do século XX, sendo duas figuras muito acarinhadas.

É possível destacar ao longo do tempo, entre outros, Manuel dos Santos, Francisco Mendes, Armando Soares, Amadeu dos Anjos, José Falcão, Vitor Mendes, Pedrito de Portugal, e ainda outras figuras como Ricardo Chibanga, o primeiro e único toureiro negro da história da Tauromaquia Mundial, ou até o tão conhecido director de atividades tauromáquicas do Campo Pequeno, Rui Bento Vasques.

Ao longo da história, o toureio a pé foi perdendo aquela que era essência dos seus primórdios uma vez que as Corridas de Toiros de morte foram proibidas por lei em 1836, pelo rei D. Miguel, passando assim, o toiro a sair com vida da Praça. Essa legislação manteve-se até aos dias de hoje. Porém em 2002, Barrancos e Monsaraz conquistaram um regime de exceção conseguindo legalizar a tradição local de touros de morte.

Em Portugal, durante um período,  o toureio apeado sofreu um enorme declínio, que é possível justificar com a falta de figuras de toureio e com o aumento do número de grupos de forcados. No entanto é desde de 2015 que o toureio a pé, tem vindo a renascer, mudando aquilo que era a procura e a exigência habitual dos aficionados, e trazendo como que uma reviravolta naqueles que eram os habituais cartéis de Corrida à Portuguesa,  apenas com figuras do toureio a cavalo.

E, como referi, acaba de se despedir das arenas uma das maiores figuras do toureio Mundial, e um dos maiores exemplos de coragem, determinação e amor à nossa Festa. Para o homenagear termino citando uma das expressões que melhor o descreve “el coraje es un valor que no se mide, se tiene o no se tiene” (Juan José Padilla), fazendo votos para que o exemplo de amor e autenticidade que Padilla foi em tudo o que fez nas arenas por onde passou, seja uma inspiração para as gerações vindouras. 

 

Texto: Joana Leão Selorindo

Fotografias: Ana Direito, Mónica Sta. Bárbara, Sofia Almeida, Armando Alves e João Rodrigues Carvalho