Periodicidade: Diária - Director: Armando Alves - 15/08/2020.
 
 
IMAGENS E CRÓNICA DA CORRIDA DE ESTREMOZ
IMAGENS E CRÓNICA DA CORRIDA DE ESTREMOZ
12 de Julho de 2020





Primeiro espectáculo após desconfinamento

Ontem em Estremoz escreveu-se a primeira página de um novo capítulo da Tauromaquia Mundial. Um privilégio que não passou indiferente àquela moldura humana que se sentia emotiva e saudosa no regresso.

Em Estremoz fez-se história, e chega a ser difícil traduzir em palavras tudo o que por lá se viveu e sentiu. Foi A Corrida dos Reencontros, e foi incrivelmente bonito observar tantos acenos e olhares cúmplices e emotivos, momentos que simbolizam o regresso e o mote da própria corrida - “Resistiremos”.

E foi também com esse espírito que a corrida foi vivida a cada toiro, com a determinação e garra próprias da nossa gente.

O espetáculo iniciou-se com um minuto de silêncio em jeito de homenagem ao malogrado Mestre Mário Coelho.

Antes de iniciar a crítica propriamente dita, não quero deixar de salientar que, mais do que sobre toiros, lides e pegas, esta Corrida foi sobre a raça e galhardia que marcam a reviravolta de um momento tão difícil para a tauromaquia.

Repartiram cartel Rui Salvador, António Brito Paes, João Moura Caetano, Manuel Telles Bastos, Ana Rita e Parreirita Cigano que lidaram toiros da ganadaria Vinhas.

As pegas estiveram a cargo dos Amadores de Arronches e Académicos de Elvas.

Devido ao cumprimento das normas da DGS, alguns momentos do espetáculo sofreram alterações, nomeadamente as cortesias em que a entrada dos intervenientes foi feita individualmente.

Abriu Praça Rui Salvador que tentou tirar o melhor partido de um toiro andarilho e com pouca casta. Ao trocar de montada cravou alguns ferros de boa nota que acabaram por marcar a sua lide.

Para a cara deste toiro foi o forcado Tiago Policarpo pelo grupo de Arronches. Citou, reuniu bem e a pega foi consumada ao primeiro intento.

Seguiu-se António Brito Paes a quem coube em sorte um toiro que andou distraído e pouco cooperante. Foi uma lide morna pautada por ferros ao estribo sem grande emoção, nem risco.

A pega deste toiro foi consumada ao quinto intento, de sesgo, pelo forcado Paulo Maurício dos Académicos de Elvas, perante um toiro que arrancava com muita pata, dificultando o momento da reunião.

O terceiro toiro da noite foi lidado pelo cavaleiro João Moura Caetano, que trouxe finalmente a lufada de ar fresco e renovado que aquela Praça já precisava, numa lide muito bem conseguida, com principal destaque para os curtos onde foi Senhor de ferros com muita verdade e toureria.

Esta terceira pega foi dedicada, pelo grupo de Arronches, a Francisco Moita Flores, pelo papel interventivo que tem tido na preservação da tauromaquia.

O grupo não conseguiu consumar à primeira, tendo o forcado Rafael Pimenta sido dobrado por Luís Marques que consumou ao seu primeiro intento. O forcado fechou-se bem e o grupo reuniu coeso.

A lide do quarto toiro da noite esteve a cargo de Manuel Telles Bastos, que toureou com a elegância própria da casa da Torrinha, numa lide que foi muito além do citar e cravar, resultando numa brega com uma harmonia incrível entre toiro e cavalo.

Pelos Académicos de Elvas, foi João Bandeiras para a cara deste toiro. Consumou ao segundo intento, numa pega limpa, sem grandes dificuldades.

Pega dedicada ao empresário daquela Praça Alentejana.

Seguiu-se Ana Rita que contagiou rapidamente o público com a sua energia, numa lide correta, rematada com 2 violinos que imediatamente fizeram vibrar as bancadas.

Para a cara deste toiro foi o forcado Rodrigo Abreu pelos Amadores de Arronches que consumou ao terceiro intento, perante um exemplar que lhes causou dificuldades no momento da reunião. Pega premiada pelo concurso de pegas.

E por fim Parreirita, a quem não faltou persistência e boa vontade numa lide que resultou regular, e a arriscar nos terrenos do toiro.

A última pega desta noite foi consumada de sesgo ao quinto intento por António Carvalho pelos Académicos de Elvas.

Pega brindada ao Presidente da Câmara da Azambuja em representação de todos os autarcas aficionados do país.

Uma palavra à Empresa Ovação e Palmas pelo sucesso do espetáculo e pela segurança que se fez sentir. E o desejo também, de que esta seja a primeira página de um capítulo longo da história da tauromaquia pós confinamento.

Este espetáculo resulta assim da persistência e perseverança incessantes com que todas estas adversidades têm sido encaradas, uma prova de que não é só dentro da arena que estes valores se aplicam... E é por isso que qualquer que seja a circunstância, é certo que, Resistiremos!

Crónica: JOANA LEÃO SELORINDO

Fotos: ARMANDO ALVES