Periodicidade: Semanal - Director: Armando Alves - 01/04/2026.
 
 
IMAGENS E CRÓNICA DA CORRIDA DE TOIROS EM ÉVORA
IMAGENS E CRÓNICA DA CORRIDA DE TOIROS EM ÉVORA
30 de Março de 2026





Faltou toiro na corrida

Évora, tarde de vontade sem eco

Entre a tradição do arranque e a frieza das bancadas, o curro não permitiu que a emoção ganhasse voo

 

A cidade de Évora deu início à sua temporada taurina com o já tradicional concurso de cernelhas pela manhã, seguido da corrida à tarde, numa jornada que juntou tradição e expectativa no arranque da época. No concurso matinal, o triunfo pertenceu ao Grupo de Forcados Amadores de Monforte, que entrou assim com moral reforçada para a corrida vespertina.

O cartel da tarde foi composto por Gilberto Filipe, Luís Rouxinol Jr. e António Prates, que enfrentaram um curro da ganadaria São Martinho, cabendo as pegas aos Grupos de Forcados Amadores de Évora e de Monforte.

Gilberto Filipe abriu praça perante um público surpreendentemente frio, que nunca chegou verdadeiramente a envolver-se na corrida. A sua atuação destacou-se pela eficácia na cravagem, embora tenha sido penalizada pelo prolongamento considerável das lides sendo ovacionado nos momentos mais conseguidos.

Luís Rouxinol Jr. entrou com a intenção clara de agitar a tarde, recebendo o seu primeiro toiro à porta dos curros e dando quatro voltas à arena com o toiro a investir, criando expectativa nas bancadas. No entanto, a falta de força do oponente acabou por impedir uma lide mais emotiva. Frente ao segundo da sua ordem, mostrou maior acerto, construindo uma lide de menos a mais, rematada com bons ferros.

António Prates deparou-se igualmente com um lote limitado. No primeiro, nunca conseguiu encontrar ligação suficiente para dar consistência à sua atuação, que acabou por não romper. Já no último da tarde, conseguiu elevar o nível, deixando o melhor ferro da corrida após uma lide crescente, mais ajustada e com melhor leitura do toiro.

No capítulo das pegas, o Grupo de Forcados Amadores de Évora esteve a bom nível, com Henrique Burguete a resolver à primeira tentativa com eficácia, tal como Cristóvão, que pegou com decisão. Afonso Santos encerrou a prestação do grupo ao segundo intento, numa pega dura e em terrenos de compromisso.

Pelo Grupo de Forcados Amadores de Monforte, o cabo João Maria Falcão foi dobrado por João Ruivo, que consumou a pega à quarta tentativa com eficácia. Nuno Ramalho destacou-se ao concretizar à primeira tentativa a pega da tarde, com autoridade, enquanto Luís Vieira fechou a participação do grupo ao segundo intento. Nota ainda para o forcado Rúben Corte Real, que sofreu uma lesão com gravidade, ficando o desejo de rápidas melhoras e de uma pronta recuperação.

Quanto ao curro da ganadaria São Martinho, apresentou-se desigual, com evidente falta de força e presença, o que acabou por condicionar o desenrolar do espetáculo e retirar emoção a várias fases da corrida.

Assim, Évora abriu a sua temporada com uma tarde marcada pela entrega dos intervenientes, mas também pelas limitações da matéria-prima e por um ambiente nas bancadas aquém do habitual, ficando a sensação de que se exigia mais para que a emoção ganhasse outra dimensão.

30 março 2026

Fotos: Armando Alves

Crónica: Lucas Fagundes