Periodicidade: Semanal - Director: Armando Alves - 23/06/2026.
 
 
IMAGENS E CRÓNICA DA CORRIDA DE ABERTURA DA FEIRA DE SÃO JOÃO
IMAGENS E CRÓNICA DA CORRIDA DE ABERTURA DA FEIRA DE SÃO JOÃO
23 de Junho de 2026





Feira inicia-se com lotação esgotada

Há lugares onde uma corrida começa muito antes de se abrir a porta dos curros. Começa nas conversas de café, nos encontros entre aficionados, nos cavalos que chegam à praça e naquela inquietação tão terceirense que acompanha os grandes dias. Assim aconteceu no domingo, 21 de junho, na abertura da Feira Taurina de São João, integrada nas Sanjoaninas de 2026.

Existem praças que se enchem de público e outras que se enchem de alma. Na ilha Terceira, a praça de toiros pertence a essa rara geografia de lugares onde a festa se confunde com a identidade de um povo.

Às seis e meia da tarde, a Praça de Toiros da Ilha Terceira apresentava-se engalanada para receber uma corrida à portuguesa que juntava três cavaleiros de diferentes expressões: Tiago Pamplona, João Moura Jr. e João Ribeiro Telles.

Nas pegas, marcaram presença os Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e os Amadores de Turlock, numa ligação simbólica entre a ilha e a comunidade terceirense radicada na Califórnia. Para as lides foram anunciados toiros das ganadarias Rego Botelho e João Gaspar.

Mas o primeiro triunfo da tarde já estava alcançado antes mesmo de soar o clarim: o público tinha respondido. As bancadas cheias demonstraram, uma vez mais, que a tauromaquia na Terceira não é apenas parte do programa das festas. É um elemento da identidade coletiva, um ponto de encontro entre gerações e uma linguagem que a ilha continua a compreender sem precisar de tradução.

Tiago Pamplona abriu praça num momento de particular significado, assinalando vinte anos de alternativa. Diante do seu primeiro oponente, da ganadaria Rego Botelho, rubricou uma atuação correta, embora com pouca história, muito por culpa das dificuldades colocadas pelo toiro, que cedo procurou as tábuas. No seu segundo, porém, mostrou que vinte anos não são vinte dias. Superou-se e ofereceu ao público uma lide importante, marcada pela verdade e pela entrega, diante de um voluntarioso exemplar de João Gaspar.

João Moura Jr., nome bem presente na memória dos aficionados terceirenses pelos triunfos alcançados em anos anteriores, chegou à praça rodeado de grandes expectativas. E, uma vez mais, o público saiu rendido ao seu toureio. As suas atuações nesta praça, em pleno Atlântico, parecem guardar um mistério próprio do mar.

Frente ao seu primeiro toiro, um bravo exemplar de João Gaspar, viveu momentos de elevada categoria. Pisou terrenos de compromisso e cravou ferros de grande nota, sempre rematados com primor, mantendo o toiro embebido nas sedas do cavalo.

Em quinto lugar, saiu-lhe um bom toiro de Rego Botelho, que lhe proporcionou um triunfo pleno. Foi outra lide de sonho, com especial destaque para as arrepiantes mourinas, que deixaram o público completamente rendido ao seu toureio.

João Ribeiro Telles apresentou-se diante de um bravo toiro da ganadaria Rego Botelho que, apesar de justo de forças, mostrou a alma que tinha. O cavaleiro assinou uma lide correta e inteligente, procurando tourear a favor do toiro e proporcionando bons momentos.

Já no seu segundo, também de Rego Botelho, pouco houve para contar. Tratou-se de um toiro difícil, que esperava no momento da reunião e não permitiu maior brilho ao cavaleiro.

No capítulo das pegas, dois grupos irmãos protagonizaram uma competição saudável. Pelos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, Carlos Vieira despediu-se das arenas com uma valente pega à primeira tentativa. O cabo Bernardo Belerique concretizou, também à primeira, uma pega repleta de técnica. Francisco Matos fechou a atuação do grupo à terceira tentativa, dobrando João Vieira.

Pelos Amadores de Turlock, homenageados pelos seus cinquenta anos de atividade, pegaram Sérgio Tirado, à segunda tentativa; Joey Pereira, também à segunda, numa rija pega; e Aaron Teixeira, à terceira, diante de um exigente toiro.

Foi, acima de tudo, uma tarde de afirmação. Uma corrida em que o público, os artistas e os grupos de forcados confirmaram que, na Terceira, a tauromaquia permanece viva, sentida e profundamente ligada à identidade da ilha.

23 junho 2026

Fotos: Armando Alves

Crónica: Lucas Fagundes