João Pamplona impõe-se numa tarde de diferentes linguagens
A segunda jornada da Feira de São João levou novamente muitos aficionados à Praça de Toiros Ilha Terceira. A primeira corrida mista do certame reuniu João Moura Jr. e João Pamplona no toureio a cavalo, Marco Pérez na lide a pé e os grupos de forcados da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e de Turlock. O curro integrou exemplares da Casa Agrícola José Albino Fernandes e de João Gaspar.
João Moura Jr. abriu praça com um toiro de José Albino Fernandes que se manteve disponível durante a lide, embora sem transmissão para sustentar uma atuação de maior intensidade. O cavaleiro optou por não o apertar, regulou os tempos e conduziu o trabalho com serenidade. O resultado foi uma atuação equilibrada, mais assente no conhecimento do que no efeito imediato.
No regresso à arena, a receção em porta-gaiola trouxe emoção aos primeiros instantes. João Moura Jr. procurou depois encontrar o ritmo adequado, mas o conjunto foi perdendo regularidade. Ficou, ainda assim, a entrega do cavaleiro e a intenção permanente de manter a lide viva.
João Pamplona revelou ambição logo no primeiro toiro, pertencente a João Gaspar. A sorte de gaiola foi executada com segurança e abriu uma atuação em que o cavaleiro soube ocupar os terrenos certos, dando clareza aos encontros. À medida que a lide avançava, crescia também a resposta das bancadas. Um ferro de palmo, cravado com decisão, encerrou em alta uma passagem que já deixava antever uma tarde importante.
O ponto mais forte da corrida surgiu no quinto toiro. O exemplar de José Albino Fernandes investia de forma franca, oferecendo a João Pamplona a matéria de que precisava para se expressar. O cavaleiro respondeu com determinação: encurtou distâncias, variou as abordagens e fez de cada ferro um passo em frente. Sem perder a compostura clássica, acrescentou risco e energia ao seu toureio, estabelecendo uma comunicação direta com o público. Foi nesse equilíbrio entre domínio e arrojo que construiu o triunfo mais evidente do espetáculo.
Marco Pérez apresentou duas versões condicionadas pelas características dos seus oponentes. No primeiro, mostrou elegância com o capote e procurou conservar as reduzidas forças do toiro durante a faena. Pelo lado direito surgiram os momentos mais conseguidos, mas a falta de transmissão do animal limitou o alcance do conjunto.
Com o sexto, o jovem matador encontrou maior margem para desenvolver o seu conceito. Em vez de forçar a investida, deixou o toiro chegar e conduziu-o com suavidade, sobretudo em séries onde se percebeu a sua noção de tempo e distância. A fase final, com desplantes verdadeiramente arrepiantes, aproximou-o definitivamente das bancadas. As duas voltas à arena reconheceram uma atuação de personalidade e confirmaram as qualidades de um toureiro ainda muito jovem.
Nas pegas, a Tertúlia Tauromáquica Terceirense e os Amadores de Turlock mantiveram a seriedade habitual. João Bettencourt concretizou à segunda tentativa e Tomás Costa fechou-se ao terceiro intento. Pelo grupo californiano, Fábio Vieira resolveu à primeira, enquanto Bryce Rocha consumou à segunda, numa pega exigente.
No balanço final, a corrida valeu menos por uma regularidade global do que pelos contrastes que ofereceu. João Moura Jr. respondeu com experiência às limitações do lote, Marco Pérez deixou sinais claros do seu potencial e João Pamplona transformou a oportunidade num triunfo inequívoco. A forte presença do público voltou ainda a demonstrar que, na Terceira, a tauromaquia continua a ser vivida como encontro, tradição e expressão coletiva.
25-06-2027
Fotos: Armando Alves
Crónica: Lucas Fagundes
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