Periodicidade: Semanal - Director: Armando Alves - 02/11/2026.
 
 
ÉVORA ENCERROU TEMPORADA ENTRE O TOUREIO E A SOLIDARIEDADE
ÉVORA ENCERROU TEMPORADA ENTRE O TOUREIO E A SOLIDARIEDADE
02 de Novembro de 2026





Boa tarde de toiros em Évora

Évora encerrou a temporada entre o toureio e a solidariedade Uma tarde de diferentes interpretações do toureio a cavalo, marcada pela exigência da praça e por um gesto de união em torno de uma causa solidária.

A Arena d’Évora recebeu, no passado dia 31 de outubro, a última corrida da temporada taurina de 2026, perante uma assistência expressiva. Num cartel que reuniu diferentes gerações e conceitos de toureio, lidaram-se seis toiros da ganadaria Santa Maria, para os cavaleiros Manuel Telles Bastos, Miguel Moura, João Salgueiro da Costa, Luís Pimenta e os praticantes Francisco Maldonado Cortes e Vasco Veiga. As pegas estiveram a cargo dos Grupos de Forcados Amadores de Évora e do Aposento da Moita.

Manuel Telles Bastos abriu praça, mantendo-se fiel ao seu conceito clássico de toureio, numa atuação em que procurou privilegiar a correção das sortes e a elegância na interpretação da lide.

Miguel Moura deixou alguns dos melhores apontamentos da tarde, confirmando o bom momento que atravessa. O cavaleiro alcançou particular expressão na ferragem curta, destacando-se pela emoção das bregas e pela colocação de palmitos, que deram maior impacto ao conjunto da sua atuação.

João Salgueiro da Costa apresentou uma lide consistente, marcada pela qualidade das bregas e pela eficácia na cravagem. Demonstrou segurança na condução das montadas, procurando reunir com verdade e executar as sortes com rigor, numa prestação de boa expressão toureira.

Luís Pimenta, por sua vez, apostou num toureio de maior dinamismo e exposição, procurando transmitir emoção através de bregas intensas e de sortes executadas com determinação. A sua entrega e ambição de triunfo contribuíram para agitar a tarde e estabelecer uma forte ligação com as bancadas.

Entre os cavaleiros praticantes, Francisco Maldonado Cortes mostrou-se aplicado e determinado em deixar uma boa impressão, conseguindo momentos de interesse, sobretudo na ferragem curta, onde evidenciou argumentos que merecem ser acompanhados.

Coube a Vasco Veiga encerrar a corrida, numa atuação em que voltou a demonstrar a evolução que tem vindo a apresentar. Seguro e capaz na abordagem ao seu oponente, beneficiou das boas condições do último toiro de Santa Maria para construir uma lide de interesse. Os melhores momentos surgiram na ferragem curta, com ferros bem conseguidos, alguns deles executados com uma ligeira batida ao piton contrário, deixando uma nota positiva no encerramento da temporada eborense.

No capítulo dos forcados, pelos Amadores de Évora, João Cristóvão, Manuel Rosa e António Braga concretizaram as respetivas pegas à segunda tentativa. Pelo Aposento da Moita, Rodrigo Aranha, André Silva e Luís Canto Moniz resolveram os seus compromissos ao primeiro intento. Ambas as formações demonstraram determinação e espírito de grupo, cumprindo as suas responsabilidades numa tarde em que o valor do companheirismo assumiu particular significado.

No plano ganadeiro, Santa Maria apresentou um curro globalmente bem apresentado, embora de comportamento desigual. Os exemplares permitiram, de um modo geral, o desenvolvimento das lides, ainda que nem todos tenham revelado a transmissão necessária para proporcionar atuações de maior dimensão artística. Merece particular destaque o sexto toiro da tarde, que reuniu condições favoráveis ao toureio e possibilitou uma das prestações mais interessantes do espetáculo.

Para além do que se passou na arena, a corrida assumiu uma importante vertente solidária em benefício de Tiago Laranjinha, forcado dos Amadores da Chamusca. A iniciativa contou com um contributo de 3.000 euros por parte da empresa promotora, ao qual se juntaram os honorários dos dois grupos de forcados, totalizando 5.492 euros. Um gesto de enorme significado, que merece reconhecimento e que voltou a evidenciar a capacidade de mobilização e união do meio taurino perante as adversidades.

Mais do que os triunfos individuais, ficou a imagem de uma praça que continua a viver a Festa com exigência, identidade e sentimento. Évora despediu-se assim de mais uma temporada com uma corrida de momentos distintos, mas que ficará particularmente marcada pela solidariedade demonstrada. Porque, para além da emoção vivida na arena, a tauromaquia também se afirma através dos valores de companheirismo, respeito e entreajuda, que continuam a unir aqueles que fazem da Festa parte da sua vida.

Crónica: Lucas Fagundes

Fotos: Armando Alves