Periodicidade: Diária - Director: Armando Alves - 29/07/2021.
 
 
À CONVERSA COM... LAURA SOUSA REPRESENTANTE DA GANADARIA FRANCISCO SOUSA
À CONVERSA COM... LAURA SOUSA REPRESENTANTE DA GANADARIA FRANCISCO SOUSA
16 de Junho de 2021

Uma ganadaria a caminho do centenário!

FT – Em que ano foi fundada a Ganadaria Francisco Sousa e quais foram as suas origens?

FS - O ferro FS da ganadaria Francisco Sousa vem desde 1927, quando o meu bisavô Francisco Sousa adquire as suas primeiras reses ao seu patrão o Sr. Jácome de Bruges.

FT – Atualmente a quem pertence a sua propriedade e quem a gere e representa?

FS - Do meu bisavô Francisco Sousa passou para o meu avô, Agostinho Gonçalves de Sousa, pai do atual proprietário, o meu pai Francisco Elvino Sousa que a gere com a ajuda da família. Eu sou a atual representante da ganadaria e o meu marido, Paulo Dias, o maioral.

FT - Como foi visto o facto de a representação da ganadaria ser efetuada por uma mulher?

FS - O facto de a representação da ganadaria ser efetuada por uma mulher foi encarado com naturalidade, pois é algo comum nas ganadarias terceirenses.

FT – Que tipo de gado existe atualmente na ganadaria, uma vez que inicialmente se dedicava à criação e maneio de gado bravo, que vendia a outras ganadarias, e de gado leiteiro?

FS - Atualmente temos gado leiteiro e gado bravo, de lide e Açores.

FT – Como tem decorrido a evolução da ganadaria e quais os maiores progressos desde a sua fundação?

FS - A evolução tem sido gradual e com alguns acontecimentos relevantes ao longo dos anos.

No ano 2000 surge a formação da Associação Regional de Criadores de Toiros de Tourada à Corda, à qual a ganadaria se associa desde então, sendo uma das sócias fundadoras, e no ano 2011, associa-se à Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide, com a aquisição das primeiras vacas e semental à ganadaria Eng.º Ruy Gonçalves. Ainda em 2011 adquirimos um semental à ganadaria São Torcato. Em 2014 vacas e novilhas da ganadaria Ascensão Vaz e dois toiros à ganadaria Murteira Grave; em 2015 dois toiros à ganadaria Vinhas e ainda, novamente à ganadaria Ascensão Vaz, novilhas em 2015 e novilhas e toiros em 2018.

Em 2005 a nossa ganadaria participou na Feira Ovibeja levando gaiolas e pastores para dar a conhecer a nossa Tourada à Corda.

Em 2007, no dia 07-07-07, inauguramos o nosso tentadero após termos feito alguns melhoramentos para o tornar mais funcional.

Em 2010 a participação no IX Congresso Mundial de Ganaderos de Toiros de Lide na Ilha Terceira e em 2013 no X Congresso Mundial de Ganaderos de Toiros de Lide, na Colômbia, abriram horizontes com novas ideias, pontos de vista e conhecimentos, bem como nos três Fóruns Mundiais da Cultura Taurina realizados na Ilha Terceira, em 2009, 2012 e 2014.

Em 2016 participámos, pela primeira vez numa Corrida, na Corrida Concurso de Ganadarias, integrada na Feira Taurina das Sanjoaninas, onde ganhámos o Prémio de Melhor Toiro com o “Oceano” e em 2018 ganhámos o mesmo prémio desta vez com o “Perdigoto”.

FT – Quem foi o maior impulsionador para esses progressos?

FS - Foi um trabalho de várias gerações mas que chegou a um ponto que era necessário definir um projeto, tentar evoluir e apostar na qualidade. Após ter tido um enfarte em 2002, o meu pai procurou apoio, cada vez mais, e de uma forma gradual, em mim e foi o ponto de partida para tentar alcançar outros patamares.

FT – Qual a proveniência das primeiras vacas e sementais com vista à criação de toiros de lide?

FS - As primeiras vacas e semental que adquirimos pertenciam à ganadaria Eng.º Ruy Gonçalves e um semental da ganadaria São Torcato.

FT – E para os toiros à corda?

FS - Na ascendência dos toiros da corda já tivemos, e por ordem cronológica, sementais das ganadarias terceirenses de Ezequiel Rodrigues, Irmãos Toste, Rego Botelho, Humberto Filipe e novamente Rego Botelho.

FT – Quantos sementais tem na ganadaria?

FS - Tentamos ter, sempre que possível, dois da raça brava de lide e dois da raça brava Açores.

FT – Onde pasta todo o gado, bravo e leiteiro? E de que forma estão divididos?

FS - Atualmente o gado bravo, de lide e dos Açores, pastam no Pico da Bagacina e o gado leiteiro, divide-se por várias parcelas distribuídas por várias freguesias: vacas e bezerros no Raminho e Altares, novilhas em S. Mateus e S. Bartolomeu.

FT – Quantas pessoas têm na manutenção da ganadaria e qual o papel desempenhado por cada uma?

FS - Na exploração agrícola trabalho eu e o meu marido, mas neste Inverno necessitámos de ajuda, visto o meu marido ter tido um acidente no campo, foi colhido por um toiro nosso no final de Novembro de 2020, assim contamos com a colaboração de um pastor nosso no maneio do gado bravo, pois o Inverno é a época mais exigente. No entanto há que referir, e agradecer, a ajuda dos pastores que, sempre que é necessário, auxiliam no maneio do gado, principalmente nas ferras, em alturas de desparasitações ou sanidade.

FT – O que é um semental e o que são as vacas de ventre?  

FS - Um semental e uma vaca de ventre são animais que deram provas da sua bravura e que corresponderam aos critérios de avaliação desejados para passarem às seguintes gerações.

FT – De que forma avalia a bravura das vacas e quais os critérios utilizados?

FS - A avaliação da bravura é feita na tenta pontuando vários critérios, de zero a cinco, consoante o comportamento demonstrado nas varas e depois na muleta. Aprecia-se se a novilha é pronta ao arrancar-se para o cavalo, se galopa, como mete a cara, quantas vezes o faz e como e se continua a fazê-lo. Na muleta se tem acometividade, mobilidade, se tem “fijeza”, se humilha, se repete, se tem recorrido, se transmite e se, sobretudo, vai a mais.

FT – Para o gado leiteiro, os critérios de avaliação utilizados são iguais ou são utilizados critérios específicos?

FS - A criação de gado leiteiro, embora seja desafiante e também por vezes uma incógnita, a verdade é que já tem a ciência altamente desenvolvida como aliada, por exemplo, já é possível, se quisermos, inseminar vacas com a sexagem já definida do embrião para que nasçam apenas fêmeas! Sentados no sofá podemos folhear calmamente um catálogo e escolhermos o melhor touro para as nossas vacas bastando ver as características que mais nos aliciam e quais as que devemos introduzir para melhorar a descendência de uma determinada vaca ou então determinadas caraterísticas para melhorar o rebanho! Podemos escolher, se quisermos, um touro diferente para cada uma das vacas! Há pontuação para os mais variados critérios: teor de proteína, teor de gordura, força de pés e pernas, etc.

Na seleção do gado leiteiro também há três fatores base a ter em conta: morfologia, reata e temos uma ferramenta chave que é o contraste leiteiro com o qual consegue-se ter dados individuais de cada vaca produtora, contendo não só a quantidade de leite que dá, ao longo da lactação, mas também a qualidade desse mesmo leite.

Mais uma vez a ciência alia-se à criação de gado e mesmo assim há enganos e desilusões, então no gado bravo, imagine-se! É muito complicado mas também é muito fascinante e desafiante.

FT – As avaliações têm alguma altura específica para serem realizadas e quem as efetua?

FS - A altura dessas avaliações é na tenta e quem as efetua sou eu e o meu marido, normalmente cada um avalia por si e depois confrontamos os resultados e justificamos os mesmos!

FT – Qual o destino das vacas após essa avaliação?

FS - Após essa avaliação, as novilhas bravas de lide que são aprovadas vão para o lote de cobrição, as que não são, vão normalmente para autoconsumo ou se, não tendo correspondido a todos os parâmetros mas tendo qualidade, por exemplo já aconteceu novilhas humilharem pouco mas têm qualidade e assim vão para o lote das vacas bravas Açores pois na Tourada à Corda não é tão grave não humilhar, pois o toiro tem de estar atento e, se é muito bonito de ver uma investida humilhada, mesmo para um guarda-sol de um capinha, também é verdade que o toiro tem de ver e acometer ao que se passa ao seu redor seja num muro ou palanque.

FT – O que considera necessário numa vaca para que possa vir a ser uma boa mãe?

FS - De uma forma geral e simplista há três características essenciais: morfologia, comportamento e reata. A morfologia é o seu tipo, a sua conformação física; a reata é a família, a sua ascendência; e depois temos o comportamento, que nas novilhas bravas de lide, é apreciado na tenta.

FT – No que consiste a alimentação dos vossos animais? E qual a diferença, caso exista, entre a do gado bravo e a do gado leiteiro?

FS - O gado leiteiro é essencialmente pastagem, concentrado na hora da ordenha e em alturas que a pastagem não é suficiente complementa-se com silagem de milho e erva. O gado bravo, de igual modo, tem por base a pastagem e complementa-se também com concentrado, silagem de erva e de milho.

 FT - Quais os principais cuidados de saúde que têm com cada um deles?

FS - Os principais cuidados de saúde são as desparasitações anuais. Infelizmente temos sofrido muito com a paratuberculose, é uma doença que não tem cura e cuja bactéria encontrou as condições favoráveis para a sua disseminação nos Açores, com as temperaturas amenas e elevada humidade, que atinge principalmente o gado bravo de lide ao cumprirem os 3 anos mas, já constatámos que, mesmo em gado com mais idade que tenha alguma doença, por exemplo, uma pneumonia, dá-se tratamento e até melhoram da pneumonia mas depois a paratuberculose ataca e acabam por morrer. 

FT – Qual o destino do produto final do gado leiteiro?

FS - O produto final do nosso gado leiteiro destina-se à indústria de lacticínios.

FT – A vossa ganadaria tem vindo a participar no Ciclo de Tentas Comentadas da ilha. Qual o balanço?

 FS - No caso da Ilha Terceira tornam essa prova pública e, honestamente, acho que nem o nosso povo se apercebe da sorte que tem em poder usufruir, gratuitamente, de algo tão particular que ocorre, normalmente com as pessoas do núcleo interno da ganadaria. O Ciclo de Tentas comentadas já existe desde 2006 e nós participamos desde 2012, primeiro com novilhos para toureio a cavalo e desde 2013 com novilhas para a tenta e o balanço tem sido positivo.

FT – Qual o significado destas tentas e a sua importância para a vossa ganadaria?

FS - A tenta é algo muito importante pois é a prova de admissão para as futuras mães da ganadaria. É a forma do ganadero ter um registo do comportamento, da bravura dessas novilhas para serem admitidas, ou não, na ganadaria. Enquanto a avaliação morfológica, do tipo, pode ser feita a olho nu, a avaliação do comportamento, da bravura, só é feita pela tenta, a forma como reage às varas e depois o seu comportamento na muleta, todo um conjunto de caracteres para determinar o valor de determinada novilha e se vai ser, ou não, uma mais-valia à ganadaria naquele momento.

FT – Considera importante a continuação da realização do Ciclo de Tentas Comentadas? Nos moldes atuais ou de uma outra forma?

FS - Nos moldes atuais acaba por ser uma simbiose entre ganaderos e a Tertúlia Tauromáquica Terceirense pois ajudam-se mutuamente, facilitando custos e logística de tal evento e proporcionam aos aficionados verdadeiros momentos de toureio, já que em Portugal, o único país dos oito países taurinos do mundo que não tem verdadeiro toureio a pé, pelo menos ficam os momentos das tentas onde há toureio a pé de verdade.

FT – O gado bravo da ganadaria abrange todas as áreas de toureio: a cavalo, a pé e tourada à corda? Como selecionam os animais para cada tipo de toureio?

FS - A seleção do gado bravo de lide é feita na tenta e, anos depois, costumam ser lidadas a cavalo bem como as novilhas de raça brava Açores, e vemos, nas primeiras, se confirmam o que foi apreendido nas tentas e, nas segundas, vemos o seu comportamento na lide a cavalo e na pega.

Na Tourada à Corda não nos podemos esquecer que o meio ambiente influencia muito, ou seja, o arraial, a própria postura do pastor do meio da corda, um erro do pastor da pancada pode pôr tudo a perder por mais que o toiro tenha vontade de desempenhar o seu papel! Na lide a pé e a cavalo o toiro só é lidado uma vez, aí vê-se genuinamente o seu comportamento. Na Tourada à Corda, costumo dizer que se o toiro puro cumpriu o arraial já é um herói, pois cada vez mais os arraias são mais exigentes. A partir da segunda corda é que se vai ver o real comportamento do toiro, e cada vez que sai ao caminho aprende e ver quanto tempo aguenta, ou seja quantas cordas com bom comportamento vai realizar ao longo da sua vida, o que também irá determinar o quão longa essa vida será e se poderá ser um futuro semental devido ao seu comportamento.

FT – Quais as características que consideram que um toiro deve ter para ser considerado um bom toiro de lide?

FS - É um toiro bravo, que tem vontade de lutar até ao fim, que não desiste da luta.

FT – Em que ano participaram, pela primeira vez, numa tourada à corda e numa corrida de praça? Qual o resultado?

FS - Há acontecimentos antigos, no tempo do meu bisavô e avô, com histórias engraçadas à mistura, de toiros na Tourada à Corda, mas sem registos exatos.

Em Setembro de 1997 tivemos a nossa primeira participação numa Tourada à Corda e, com maior regularidade, a partir de 1999.

Em Maio de 2006 participámos pela primeira vez num festival taurino na Praça de Toiros Ilha Terceira.

Em 2016 participámos, pela primeira vez numa Corrida, na Corrida Concurso de Ganadarias, integrada na Feira Taurina das Sanjoaninas, onde ganhámos o Prémio de Melhor Toiro com o “Oceano”.

FT – Já algum toiro após ser lidado, foi tratado e aproveitado como semental?

FS - O “Oceano” e o “Perdigoto”, após a lide, foram tratados, e felizmente a recuperação de ambos foi célere, e ambos foram sementais na ganadaria.

FT – Considera que a presença da ganadaria nas corridas de S. João, que fazem parte de uma das festas mais importantes da ilha, dá mais reconhecimento e prestígio à ganadaria?

FS - A presença de qualquer ganadaria nas corridas da Feira Taurina das Sanjoaninas é muito importante, não só porque essa feira taurina já tem grande protagonismo e importância, mas, principalmente, e face à condição de ilhéus, estamos cingidos aos eventos locais, como a Corrida da Praia e festivais taurinos, o que torna ainda mais difícil exercer essa atividade de ganadero nas ilhas.

FT – Qual o significado do prémio bravura recebido numa dessas corridas, no ano 2018?

FS - Tanto o prémio de 2018 como o de 2016 foram muito especiais por serem ao de melhor toiro, com ganadarias prestigiadas a concurso.

FT – No ano agora findo (2020), devido à pandemia causada pelo COVID-19, estiveram proibidas as touradas à corda e as corridas de praça foram mínimas. A ganadaria esteve presente em alguma delas?

 

FS - O ano 2020, nem é preciso referir, de como foi difícil para todos, em todos sectores e a todos níveis! Tudo ficou adiado para 2021. Como é algo novo para todos e em todo o mundo, também houve uma dualidade de sentimentos: se por um lado queremos e necessitamos da Festa, por outro temos de ter consciência das regras necessárias para não contribuírmos com novos focos e surtos.

FT – Qual o balanço desse ano e quais as maiores dificuldades sentidas?

FS - Foi um ano muito complicado, não houve oportunidades para lidar animais e abatê-los por um lado nem compensava, pois houve um excesso de oferta de carne e nenhuma procura, e por outro, os compromissos agendados de 2020 foram adiados para 2021.

FT – De que forma tentaram minimizar essas dificuldades?

FS - A nossa opção foi a resiliência, aguardar para ver a evolução da pandemia, para agravar a situação como estamos sempre com receio da paratuberculose, optámos por manter os animais para ver o que acontece em 2021.

O trabalho numa ganadaria é um trabalho contínuo, com a covid, só veio acentuar que é uma maratona, quem quiser chegar à meta tem de ter resistência, o que é muito subjetivo pois nunca se sabe o dia de amanhã e os objetivos e as visões vão-se alterando! Portanto, um dia de cada vez, trabalhar para a qualidade e para acima de tudo desfrutar.

FT - No percurso da ganadaria houve algum prémio com significado especial?

FS - Os prémios de bravura tanto do “Oceano” em 2016 e do “Perdigoto” em 2018 tem sempre outro significado e, modéstia à parte, foram justos vencedores, pois às vezes há atribuição de prémios ao toiro que menos falhas tem, não foi o caso em ambos. E em ambos estavam a concurso, além das ganadarias terceirenses com muito bom nível, ganadarias de renome como Juan Pedro Domecq, Murteira Grave, Ascensão Vaz.

FT – Existe algum toiro que se tenha sobressaído e que fique na história da ganadaria?

FS - O “Oceano” e o “Perdigoto”, ainda por cima no ano do “Oceano” foi, simultaneamente, a nossa estreia numa Corrida.

FT – Praticam a vossa atividade apenas na ilha ou também fora dela? Onde?

FS - Já tivemos propostas para irmos com toiros, para tourada à corda, por exemplo, na Ilha Graciosa mas não aceitámos porque não se justificava. Na ilha Terceira normalmente a tourada à corda realiza-se como o final da festa de determinada localidade: há uma comissão de festas, que trabalha durante um ano para angariar fundos para essa festa que engloba a parte cristã e a profana com concertos, arraiais, touradas, e mesmo assim têm grandes dificuldades para colmatar os encargos. Nas outras ilhas, como a Graciosa, conseguem angariar fundos é na própria tourada, com peditório in loco e com a receita da tasca das festas, logo têm dificuldades acrescidas. Portanto para nos deslocarmos, levarmos toiros, gaiolas e pastores torna-se muito dispendioso, e embora gostemos de ajudar sempre que podemos, a verdade é que às vezes temos que avaliar com a cabeça e não com o coração.

FT – Olhando para o futuro, positivamente, já possui toiros apartados para os diferentes tipos de toureio?

FS - Estamos a tentar manter os animais para cumprir com o que está agendado desde 2020, mas infelizmente 2021 não vai ser mais fácil. Portanto há que olhar mais além, para 2022 e tentar prever o que irá acontecer para avaliarmos que posição tomar.

FT – Existe alguma coisa no percurso da ganadaria que, olhando para trás, teria mudado?

FS - As decisões tomadas até hoje foram de acordo com o momento em causa, com as necessidades e possibilidades do mesmo, e os erros cometidos serviram para aprender.

FT – Quem é a Laura Sousa para além de representante da ganadaria?

FS - É uma aficionada ao toiro bravo, esse mistério da Natureza, pois o toiro bravo faz tudo o que não devia fazer! Devia pastar como todo o bovino com aptidão para produção de carne ou de leite, e este tipo de bovino é muito mais do que isso. É um animal distinto de todos os outros, não é selvagem, não é doméstico, não é de companhia! Não há nada mais bonito do que ver um toiro a investir, humilhando, numa muleta!

A vida é muito curta e feliz daqueles que são diferentes e lutam pelos seus sonhos, é o que tento passar à próxima geração.

FT – O seu braço direito na ganadaria?

FS - É o maioral da ganadaria, Paulo Dias, o meu marido. É uma pessoa que não tendo estado envolvida no meio taurino desde criança, abraçou esta vida e tentou conjugar, o melhor possível, com a nossa principal atividade, que é a criação de gado leiteiro, o que, por si só, já é muito exigente, são muitas horas, todos os dias, todo o ano!

FT – Projetos futuros, individuais e para a Ganadaria?

FS - Desfrutar! A criação do toiro bravo está cada vez mais ameaçada. Essas ameaças chegam de todos os lados: pressão dos animalistas, indiferença de alguns políticos, propostas para a não elegibilidade aos apoios das raças bravas, dificuldade em encontrar quem queira trabalhar com gado, mesmo o leiteiro, (imagine-se com o bravo!). Todo um conjunto de fatores que dificultam muito, e cada vez mais, esta atividade. E agora a covid para agravar ainda mais a situação, de maneira que é altura de desfrutar o presente pois o futuro está cada vez mais incerto e desanimador.

NUMA PALAVRA:

Um ganadeiro?

Victorino Martín.

Um toiro?

Cobradiezmos.

Um picador?

Carlos Pérez Hernández.

Um toureiro?

José Tomás.

Um bandarilheiro?

Iván Garcia.

Uma praça?

La Real Maestranza de Caballería de Sevilla.

Um cavalo?

Malhinha (de João Carlos Pamplona).

Um sonho?

Euromilhões.

Uma ganadaria?

Victorino Martín.

Um matador?

José Tomás.

 Um forcado?

Paulinho Magalhães (GFATTT).

Um cavaleiro?

António Ribeiro Telles.

Corrida ou corda?

Corrida.

Um filme?

«África Minha».

Um país?

Espanha.

Uma cidade?

Sevilha.

Praia ou campo?

Praia e campo.

Um destino de férias?

Toscana, Itália.

Um clube?

Sporting Clube de Portugal.

Comida favorita?

Peixe grelhado na brasa.

 

FT – Uma palavra/sugestão para o Forcadilhas e Toiros.

FS - Uma palavra de agradecimento e votos de felicidades para continuarem no seu contributo de promoverem e defenderem a Festa e todos os seus intervenientes.

Texto e fotos: CÉLIA DOROANA, ANTÓNIO VALINHO, ARMANDO ALVES