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Á CONVERSA COM O CAVALEIRO FILIPE VINHAIS
Á CONVERSA COM O CAVALEIRO FILIPE VINHAIS
19 de Março de 2014

Em Asseiceira – Tomar, o Forcadilhas e Toiros esteve à conversa com um cavaleiro em plena ascensão… Filipe Vinhais.

Neste dia bastante frio, fomos conhecer um cavaleiro com os pés assentes no chão, que sabe o que quer e que aos poucos ambiciona chegar longe. Filipe Manuel Marques Vinhais, de 32 anos de idade, natural de Tomar e, sua esposa Alexandra, receberam-nos de tal forma acolhedora, que uma simples entrevista passou a um dia com a família Vinhais.

 

Deixamos aqui o testemunho da nossa conversa e agradecemos a amável e acolhedora recepção, desejando as maiores felicidades e muito sucesso. 

 

FT - O Filipe é cavaleiro de alternativa?

 

FV - Sou cavaleiro de alternativa tirada em 19/06/2011, na praça do Cartaxo, tendo como padrinho o cavaleiro Manuel Jorge de Oliveira e como testemunha o cavaleiro António Telles.

FT - Como concilia o toureio com a vida particular?

FV - No fundo tento desfrutar das duas vidas que tenho e que se vão completando uma à outra. A minha profissão (Militar da Força Aérea) é muito stressante e o toureio é um alívio, uma ocupação saudável. Ocupo o meu tempo a cuidar dos cavalos e a desfrutar da vida do campo.

FT - Como ocupa o seu tempo livre?

FV - Devido à profissão tenho de fazer uma gestão cuidada do tempo. Aproveito o horário pós serviço para montar, treinar e preparar os cavalos. Criei autodisciplina com a gestão do tempo livre, elaboro uma agenda semanalmente e tento cumpri-la à risca deixando sempre tempo livre para jantar e passear com a minha esposa, Alexandra.

FT- O que gosta de fazer para além de tourear?

FV - Gosto de tudo o que tem a ver com o campo. Faço as sementeiras, trato das vedações, gosto muito de praia, gosto de viajar, de sair aos sábados à noite e divertir-me. Também gosto muito de desporto nomeadamente, de correr para manter a forma.

FT - O que seria senão fosse cavaleiro?

FV - Não lhe sei dizer, sempre tive um gosto muito grande pelo toureio e também pela área técnica que tenho como profissão, que é a Força Aérea.

FT - Descreva-nos o seu toureio?

FV - Penso que o meu toureio ainda não está bem definido. Tem evoluído nos últimos anos, mas estou convencido que é um toureio de verdade e pauta pela frontalidade. Julgo ter valor dentro da minha espontaneidade, tenho uns cavalos moldáveis e bem tratados e, depois, depende sempre do toiro que me cabe em sorte. Emprego-me sempre a 100% nas corridas que faço, respeito sempre e muito o cavalo e, não costumo sofrer toques nas montadas. No fundo, desde que tomei a alternativa evoluí bastante.

FT - Tem algum toureiro(a) que lhe sirva de inspiração? Algum ídolo?

FV - Respeito todos os colegas e tenho admiração por quem pisa uma praça e pratica esta arte tão difícil. Um ídolo, sem dúvida, José Mestre Batista.

FT - Com quem gostava de partilhar cartel?

FV - Gosto de partilhar cartel com qualquer colega, mas reconheço ser uma honra acrescida ter como colega de cartel um Telles ou um Bastinhas, um Moura ou um Salgueiro ou, dos mais antigos e retirados, o Manuel Jorge de Oliveira.

FT - Com quem gostava de partilhar uma lide?

FV - Já partilhei lides com primeiras figuras e com amadores e correram sempre bem, por isso não tenho preferências.

FT - Indique-nos uma praça onde sonhe actuar?

 

FV - No Campo Pequeno, a catedral do toureio a cavalo, mas não sou obcecado por isso. Vou quando tiver que ir.

FT - Qual é a sua quadra para 2014? Vamos ter novidades? Se sim, quais serão?

FV - A quadra para 2014 será composta pelos cavalos Oceano, filho do Napoleão, com ferro José Salvador, Quimoso, sem ferro, Quinze Dias, filho do Magic Count e a novidade deste ano será D’Artagnan. No entanto, com o decorrer da época, outras novidades poderão surgir.

FT - Quantas corridas pensa fazer em 2014? Pensa tourear fora de Portugal? Se sim, onde?

FV - Não lhe sei dizer quantas, mas estou bastante optimista. Neste momento, existem vários contactos para Portugal, estando já confirmada a data de 11 de Maio em Torres Novas num festival de angariação de fundos para os Bombeiros locais. Existe ainda a possibilidade de tourear em Espanha.

FT - Que tipo de toiros gosta que lhe saiam em sorte?

FV - Qualquer tipo de toiro desde que não seja manso. Um toiro bravo é assunto sério. Quando era amador aceitava tudo e era tudo difícil.

FT - Alguma ganadaria em especial?

FV - Sim, em 2012, em Freixianda, triunfei ao lidar um toiro Ascensão Vaz, muito bom.

FT - O que sente ao entrar numa praça e ver as bancadas “vazias”?

FV - Confesso que “arrefece” um pouco, mas temos de cumprir sempre a nossa missão com a máxima entrega. Uma praça cheia dá ambiente, transmite calor, puxa mais pelos toureiros.

FT - O que acha que poderia ser feito para chamar mais gente às praças?

FV - É preciso criatividade e estratégia acima de tudo. As pessoas, apesar da crise, continuam a ir aos touros. Deviam fazer pacotes família e, ter em atenção a coincidência de datas, em locais próximos.

FT - Como encara o facto de um Espanhol ser anunciado e encher uma praça e, com um Português isso não acontecer?

FV - Nem sempre isso acontece. Acho que a explicação está no facto de os Espanhóis serem muito profissionais e trabalharem bastante para conseguirem os seus objectivos. Acho que determinadas facções criam ambientes e facilitam as coisas para que isso aconteça. Cabe-nos a nós defender o que é nosso, temos de lidar os toiros com mais emoção, de modo a tornarmo-nos mais atractivos para o público.

FT - Quem é o Filipe Manuel Marques Vinhais?

FV - O cidadão Filipe Manuel Marques Vinhais é uma pessoa de objectivos, que desfruta bastante da vida, que luta por aquilo que o seduz e que procura sempre fazer as coisas pelo melhor possível tentando aprender. Desfruta das coisas tanto na arena como na vida, até porque a melhor maneira de sentir as coisas é ir melhorando a cada dia que passa. Quando comecei, especialmente nos toiros, era bastante sonhador e optimista, mas sempre ciente da necessidade de aprender e perceber a doutrina das coisas tanto como toureiro como como homem.

NUMA PALAVRA:

A sua melhor lide? Freixianda, em 2012.

Um cavaleiro(a)? Mestre Batista, pela qualidade inabalável, e João Salgueiro.

Uma ganadaria? Oliveira Irmãos – Palha – Vaz Monteiro.

Um toureiro? Mestre Batista.

Um bandarilheiro? Alegrias (pai) – Praxedes – Pedro Gonçalves.

Uma praça? Próxima onde tourear.

Um cavalo? O Quinze Dias, meu e o Importante, com ferro Companhia das Lezírias.

Um colega? João Salgueiro.

Um clube? Benfica.

Um jogador? Cristiano Ronaldo.

Gosta de filmes? Bastante.

Um destino de férias? México.

Um país? México.

Uma cidade? Lisboa.

Praia ou campo? Praia, pois de campo já tenho uma boa dose.

Comida favorita? Cozido à Portuguesa.

Um sonho? Ir o mais alto possível como cavaleiro tauromáquico.

Uma palavra/sugestão para o Forcadilhas e Toiros

Acima de tudo, façam sempre as coisas com paixão e inspiração.

 

Autor da entrevista: CÉLIA DOROANA / ARMANDO ALVES