Periodicidade: Diária - Director: Armando Alves - 19/04/2019.
 
 
IMAGENS E CRÓNICA DO FESTIVAL DA CHAMUSCA
IMAGENS E CRÓNICA DO FESTIVAL DA CHAMUSCA
07 de Abril de 2019


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© 2018, Armando Alves



Salgueiros e El Cid em plano de destaque

Iniciaram-se este sábado as festividades em honra do Centenário da Praça de Toiros da Chamusca com um festival taurino de beneficência a favor da Santa Casa da Misericórdia da terra. Apesar do mau tempo sentido nas vésperas do festival, e no próprio dia, poucas horas antes do seu início, os aficionados não arredaram pé e encheram cerca de ¾ da praça de toiros da Chamusca.  Tourearam a duo os cavaleiros António Ribeiro Telles e o seu filho António Ribeiro Telles, e os cavaleiros João Salgueiro e o seu filho João Salgueiro da Costa. Estiveram presentes neste festival os espadas Francisco Rivera Ordóñez “Paquirri”, Morante de La Puebla, Manuel Jesús “El Cid” e o bezerrista Vasco Veiga. Para as pegas da tarde, estiveram presentes os dois grupos de forcados da terra: GFA da Chamusca e GFA do Aposento da Chamusca, respetivamente capitaneados por Nuno Marecos e Pedro Coelho dos Reis. Os toiros, gentilmente cedidos pelos ganaderos pertenciam a diversas ganadarias.

Abriram o festival os Ribeiro Telles, frente a um bom exemplar da ganadaria David Ribeiro Telles. O pai mostrou a sua maestria do início ao fim da lide, cravou dois compridos à tira de muito boa nota e esteve muito bem também nos ferros curtos. O filho demonstrou que tem muito treino feito, que quer vingar no mundo do toureio e não desiludiu ninguém. Nos curtos, deixou no toiro um dos ferros da tarde. A dinastia Ribeiro Telles teve uma boa lide, correta e ritmada, bem ao seu estilo, que resultou numa faena bem conseguida. Pelos Amadores da Chamusca, o forcado Francisco Borges consumou a pega deste toiro ao primeiro intento, agarrou-se bem ao toiro e teve bons ajudas. Os cavaleiros e o forcado deram volta à arena.

Seguiu-se a família Salgueiro que sem dúvida triunfou no toureio a cavalo. Frente a um toiro de Eng. Rosa Rodrigues, tiveram uma lide praticamente irrepreensível, conseguiram transmitir muita emoção a todo o público e tanto o pai como o filho cravaram belíssimos ferros, tanto curtos como compridos. Esta lide terminou com um ferro muito bom de João Salgueiro da Costa cravado após uma forte batida ao piton contrário que resultou da melhor maneira. O público presente na praça de toiros da Chamusca levantou-se para aplaudir João Salgueiro e João Salgueiro da Costa. Pelo Aposento da Chamusca, Vasco Reis consumou a segunda pega da tarde também ao primeiro intento. Os cavaleiros e o forcado tiveram novamente direito a volta à arena.

Após um curto intervalo, que serviu apenas para preparar o piso e os burladeros para os espadas, iniciou-se a fase de toureio a pé. Abriu esta segunda parte “Paquirri”, frente a um toiro de Manuel Assunção Coimbra. Paquirri teve uma lide correta, mas pouco emotiva. No final da faena, o estoque resultou um pouco lateral e bastante atrasado.

Morante de La Puebla, o mais esperado da tarde, enfrentou um toiro de Manuel Veiga com boa apresentação e bravo, ainda que tenha humilhado pouco no tércio de muleta. No capote, Morante esteve normal, não arriscou muito, templou bem e conseguiu algumas boas Verónicas. Foi no tércio de bandarilhas que tudo foi por água abaixo: um dos pares ficou cravado no dorso, mesmo a meio do toiro, que já não conseguiu demonstrar mais bravura durante o resto da lide. Na muleta, Morante ainda conseguiu uns bons Naturales e Derechazos. Terminou a lide com o estoque muito bem colocado.

“El Cid”, no ano em que se fala da sua despedida das arenas, veio à Chamusca mostrar a garra de que é feito. Defrontou-se com um Calejo Pires que foi talvez o melhor toiro presente em praça. Esteve excelente no capote com sequências de verónicas a culminarem em meias verónicas e templou muito bem. No tércio de bandarilhas apenas um par ficou cravado, mas uma das bandarilhas acabou por cair pouco depois. Foi na muleta que “El Cid” triunfou. Foi no geral uma faena irrepreensível, excelente até, que culminou num tércio de muleta belíssimo. O único aspeto negativo a referir foi a falha ao cravar o estoque. Teve direito a música durante a sua lide e a duas voltas à arena.

Vasco Veiga, para terminar esta tarde de toiros, teve para seu oponente um toiro de Manuel Veiga. Vasco foi muito bom no capote, recebeu o toiro com uma afarolada de rodillas muito bem conseguido e seguiu este tércio com revoleras e verónicas muito boas. No tércio de bandarilhas foi ainda melhor, conseguiu, ele próprio, cravar dois pares de muito bom tom, mas foi na muleta que Vasco não conseguiu chegar ao público. Começou este tércio um pouco nervoso, mas recuperou a confiança rapidamente. Terminou o tércio com uns bons Derechazos. Para finalizar a lide conseguiu um estoque muito bem colocado.

Texto: ANA SILVA

Fotos: ARMANDO ALVES